Rodrigo Domit
Nada em vão
Dias em vão
Dias que vão
E você nem sente
Nem vê passar
Esse dias vão
Nem as memórias ficam
E você nem lembra
Nem sabe o que fez
E de vão em vão
Se faz um buraco
O buraco é fundo
Mas não acabou-se o mundo
Eis que vem a salvação
Um dia especial
Com momentos inesquecíveis
Memoráveis, incomparáveis
Momentos que você sente
Que não quer deixar passar
Uma hora eles vão
Mas as memórias ficam
E depois você lembra
De tudo que fez
E de momento em momento
Chegamos à conclusão
De que nada é em vão
Dias em vão
Dias que vão
E você nem sente
Nem vê passar
Esse dias vão
Nem as memórias ficam
E você nem lembra
Nem sabe o que fez
E de vão em vão
Se faz um buraco
O buraco é fundo
Mas não acabou-se o mundo
Eis que vem a salvação
Um dia especial
Com momentos inesquecíveis
Memoráveis, incomparáveis
Momentos que você sente
Que não quer deixar passar
Uma hora eles vão
Mas as memórias ficam
E depois você lembra
De tudo que fez
E de momento em momento
Chegamos à conclusão
De que nada é em vão
Rodrigo Domit
Cheiro de chuva
Em 5 minutos tudo mudou
De laranja para cinza
E todo mundo reclama
O engarrafamento se forma
O dia acaba... mas não para mim
Eu, só o que eu quero é ficar na chuva
De braços abertos e olhos fechados
Sentir como se as gotas estivessem paradas
E eu me chocasse contra elas
Quero sentir esse movimento
Esse momento
E muitos outros
Pequenos potinhos de felicidade
Me concede o prazer desta dança?
Em 5 minutos tudo mudou
De laranja para cinza
E todo mundo reclama
O engarrafamento se forma
O dia acaba... mas não para mim
Eu, só o que eu quero é ficar na chuva
De braços abertos e olhos fechados
Sentir como se as gotas estivessem paradas
E eu me chocasse contra elas
Quero sentir esse movimento
Esse momento
E muitos outros
Pequenos potinhos de felicidade
Me concede o prazer desta dança?
Rodrigo Domit
Nosso espaço
A poesia nunca teve lugar
Não que ela não estivesse ali
Ela estava, mas não se encaixava
O espaço era pequeno
E ela sempre foi exagerada
Até que veio você
E com você veio o nós
E conosco o nosso amor
Que é nosso, não é só meu ou só seu
E por isso há espaço de sobra para a poesia
A poesia agora se encaixa
E o que era hipérbole
Virou eufemismo ...
A poesia nunca teve lugar
Não que ela não estivesse ali
Ela estava, mas não se encaixava
O espaço era pequeno
E ela sempre foi exagerada
Até que veio você
E com você veio o nós
E conosco o nosso amor
Que é nosso, não é só meu ou só seu
E por isso há espaço de sobra para a poesia
A poesia agora se encaixa
E o que era hipérbole
Virou eufemismo ...
Rodrigo Domit
Muda
Como sempre, ele estava falando sobre as coisas do mundo que ninguém há de entender, muito menos ele mesmo:
- Não é de hoje, mas cada dia piora. Isso me preocupa. Está na televisão, na internet, na faculdade, no papo de boteco, na lotérica ali da esquina. Na televisão, há cada vez mais programas para que resolvam alguma coisa na sua vida, te dar dinheiro, um novo rosto, um novo carro, uma nova casa e até um novo amor. E as pessoas já não sonham mais em conseguir as coisas, pensam que alguém ou algo podia resolver lhes dar.
- Desculpa, não ouvi direito o que você falou.
- Outro problema. Ninguém ouve, ninguém dá bola, ninguém respeita, ninguém cuida de ninguém. Esses dias mesmo eu fui ao hospital e me negaram atendimento porque tinha que ter passado primeiro por um ambulatório que ficava mais longe de casa do que o hospital.
- Não precisa ficar nervoso.
- Claro que não preciso, eu posso simplesmente não me importar. Ou eu posso tentar fazer algo, sei lá, mesmo que seja pouco. Quando eu cheguei em casa, enviei uma sugestão de pauta aos jornais para que façam uma matéria explicativa sobre o funcionamento do hospital. Para que os desavisados dirijam-se ao ambulatório e não diretamente ao hospital.
- E saiu a matéria?
- Não sei. Eu não leio jornal.
- Então que diferença faz?
- Para mim? Nenhuma! Mas deve ter alguém que lê o jornal e que pode ficar doente algum dia e daí vai lembrar de ir ao ambulatório primeiro.
- Então você pode estar salvando uma vida?
- Indiretamente eu posso estar colaborando.
- Parabéns...
- Por que o sarcasmo?
- Você e essas suas idéias utópicas de mudar o mundo.
- Eu disse que talvez eu ajude alguém, não que mudaria o mundo.
- Mudar alguém, algo, o mundo.
- São coisas diferentes.
- Mas a idéia é sempre mudar.
- Para melhor.
- E muda?
- Se você mudar muda.
- Muda o que?
- Primeiro você tem que mudar.
- Mas o que em mim tem que mudar?
- O seu jeito de pensar.
- E depois o que muda?
- A muda.
- A muda?
- A muda muda. Vira árvore, dá flores e frutos.
E por alguns minutos, com um sorriso no rosto e um novo brilho nos olhos, ela ficou muda.
Como sempre, ele estava falando sobre as coisas do mundo que ninguém há de entender, muito menos ele mesmo:
- Não é de hoje, mas cada dia piora. Isso me preocupa. Está na televisão, na internet, na faculdade, no papo de boteco, na lotérica ali da esquina. Na televisão, há cada vez mais programas para que resolvam alguma coisa na sua vida, te dar dinheiro, um novo rosto, um novo carro, uma nova casa e até um novo amor. E as pessoas já não sonham mais em conseguir as coisas, pensam que alguém ou algo podia resolver lhes dar.
- Desculpa, não ouvi direito o que você falou.
- Outro problema. Ninguém ouve, ninguém dá bola, ninguém respeita, ninguém cuida de ninguém. Esses dias mesmo eu fui ao hospital e me negaram atendimento porque tinha que ter passado primeiro por um ambulatório que ficava mais longe de casa do que o hospital.
- Não precisa ficar nervoso.
- Claro que não preciso, eu posso simplesmente não me importar. Ou eu posso tentar fazer algo, sei lá, mesmo que seja pouco. Quando eu cheguei em casa, enviei uma sugestão de pauta aos jornais para que façam uma matéria explicativa sobre o funcionamento do hospital. Para que os desavisados dirijam-se ao ambulatório e não diretamente ao hospital.
- E saiu a matéria?
- Não sei. Eu não leio jornal.
- Então que diferença faz?
- Para mim? Nenhuma! Mas deve ter alguém que lê o jornal e que pode ficar doente algum dia e daí vai lembrar de ir ao ambulatório primeiro.
- Então você pode estar salvando uma vida?
- Indiretamente eu posso estar colaborando.
- Parabéns...
- Por que o sarcasmo?
- Você e essas suas idéias utópicas de mudar o mundo.
- Eu disse que talvez eu ajude alguém, não que mudaria o mundo.
- Mudar alguém, algo, o mundo.
- São coisas diferentes.
- Mas a idéia é sempre mudar.
- Para melhor.
- E muda?
- Se você mudar muda.
- Muda o que?
- Primeiro você tem que mudar.
- Mas o que em mim tem que mudar?
- O seu jeito de pensar.
- E depois o que muda?
- A muda.
- A muda?
- A muda muda. Vira árvore, dá flores e frutos.
E por alguns minutos, com um sorriso no rosto e um novo brilho nos olhos, ela ficou muda.
Rodrigo Domit
Não deu tempo
A poesia morreu antes de eu chegar
A poesia morreu antes de eu chegar
Rodrigo Domit
Memórias
Uma impressão
Por alguns momentos tenho a impressão de que o artista que lida com imagens, desenhos e pinturas tem mais facilidade do que o que lida com as palavras, sentimentos, emoções e reações.
Até porque tenho a impressão de que a imagem você começa copiando para depois fazer seu próprio trabalho. Mas os sentimentos, reações e emoções, você deve primeiro vivê-los para depois ainda traduzí-los em palavras.
Mas no final acaba sendo tudo uma impressão.
Por alguns momentos tenho a impressão de que o artista que lida com imagens, desenhos e pinturas tem mais facilidade do que o que lida com as palavras, sentimentos, emoções e reações.
Até porque tenho a impressão de que a imagem você começa copiando para depois fazer seu próprio trabalho. Mas os sentimentos, reações e emoções, você deve primeiro vivê-los para depois ainda traduzí-los em palavras.
Mas no final acaba sendo tudo uma impressão.
Rodrigo Domit
Memórias
2006
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